A FOTOGRAFIA PERICIAL

    Existe um lugar-comum onde se diz que “a imagem vale mais que mil palavras”. Ora, se a leitura de um texto depende da decodificação de símbolos, ou seja, que o indivíduo seja alfabetizado e conheça o idioma em que o texto se encontra escrito; e a interpretação de uma imagem depende apenas do correto funcionamento do sentido da visão do observador e uma parcela de vivência e repertório cultural para seu correto entendimento, então essa premissa é verdadeira. Pode-se dizer que uma imagem consegue atingir um maior número de leitores do que um texto. A imagem, por ser uma mensagem decodificada, ultrapassa barreiras idiomáticas, o texto não.

    

     De todas as ferramentas miméticas a fotografia é a que representa a realidade com maior fidelidade, funcionando como uma impressão luminosa; um registro denotativo estético de uma realidade material, quase como um espelho. Ela revela um recorte estático bidimensional de algo tridimensional. Observar uma fotografia permite que se recupere informações do que já foi, pois ela trata-se de uma verdadeira perpetuação dos aspectos visuais de um momento passado. Cumpre ainda dizer que posiciona o espectador em uma situação em que ele de fato não esteve.

     

     A fotografia científica, na qual se insere a fotografia pericial, forense ou criminal, tem a função de mostrar, nada além da verdade. Nela, não há espaço para composições subjetivas, tampouco pode dar margem para dupla interpretação. Ela deve ser auto-explicativa, com status de testemunho visual.

     Cada vez mais a fotografia vem ganhando importância na perícia criminal. Antigamente a inserção de fotografias nos laudos periciais era facultativo devido às dificuldades de acesso e alto custo dos equipamentos. Hoje, graças aos avanços das tecnologias digitais, a fotografia se tornou algo quase obrigatório para o sistema policial/judiciário. E ainda, o registro fotográfico de vestígios importantes como marcas de mordida, pegadas ou impressões digitais tem sido cada vez mais frequente. Nesses casos a fotografia é utilizada como base de confronto, adquirindo uma outra e mais importante função: da própria evidência de um crime.